2as Sem Carne

Gabriela Oliveira

Gabriela Oliviera. Jornalista

Numa breve entrevista, Gabriela Oliveira a propósito do lançamento do seu novo livro desvenda-nos algumas curiosidades sobre como começou  

Setembro 2014

 

P: Há quantos anos é vegetariana? 

R: Sou vegetariana há 17 anos, desde os tempos da universidade. Tornei-me vegetariana quando percebi que, afinal, era fácil substituir as proteínas por alimentos de origem vegetal. Sempre me custou ver os animais a morrer e a serem esquartejados para consumo e até essa altura desconhecia que existiam tantos alimentos alternativos.

 

P: Sendo jornalista, como se interessou pela culinária vegetariana? 

R: Precisamente pela minha curiosidade jornalística, pela vontade de pesquisar e de escutar os outros. O que pode levar alguém a decidir deixar de comer carne e a tornar-se vegetariano ou mesmo vegan? Como substituir os alimentos de forma a garantir as proteínas, o cálcio e o ferro? Podemos dar refeições vegetarianas a bebés? Escrevi imensos artigos e reportagens para a imprensa portuguesa sobre os temas da alimentação saudável e o vegetarianismo. Daí, parti para os livros. Não havia literatura sobre alimentação infantil vegetariana e, com o nascimento dos meus filhos, publiquei o livro “Alimentação Vegetariana Para Bebés e Crianças”. Recentemente publiquei “Cozinha Vegetariana Para Quem Quer Poupar”, para dar resposta a muitas dúvidas e pedidos de receitas que os leitores e os participantes nos workshops me faziam.

 

P: Nota que há um interesse maior pela cozinha vegetariana?

R: Sim, sem dúvida. Há muita curiosidade em experimentar pratos diferentes e em descobrir como se preparam alimentos novos, como a quinoa, o bulgur, o tofu, etc. Mas noto que as pessoas ainda têm dificuldade, porque não sabem onde adquirir esses produtos e desconhecem alguns truques básicos da culinária vegetariana. Por outro lado, há uma grande preocupação em adquirir hábitos mais saudáveis. Todos sabemos que a alimentação pode ter um efeito protetor ou, pelo contrário, potenciador de muitas doenças e que o consumo excessivo de carnes, gorduras e açúcares, está associado a vários tipos de cancro, hipertensão, obesidade e outros problemas.

 

P: Há a ideia de que as refeições vegetarianas são mais caras. Concorda?

R: Discordo. Podemos poupar bastante se optarmos por mais refeições vegetarianas, usando como fontes de proteínas as leguminosas (feijão, grão-de-bico, favas, lentilhas...), o tofu ou o seitan. O preço destes alimentos é bastante mais baixo do que o da carne ou do peixe. É curioso que muitos produtos típicos da cozinha vegetariana são mais baratos nas lojas especializadas do que nos hipermercados, chegando a custar o dobro do preço nas grandes superfícies, como é o caso do tofu e do seitan frescos. É possível preparar refeições completas para uma família inteira por escassos cêntimos ou até 5 euros, como proponho no livro.

 

P: Sabemos que os seus filhos são educados com uma alimentação vegetariana. Quais as vantagens e desvantagens que viu nessa opção durante o crescimento das crianças? 

R: Temos 3 filhos e foram habituados desde bebés a refeições sem carne que, aliás, nunca provaram. Não estranham ver no prato arroz integral, quinoa ou cuscuz com hambúrgueres de grão, “bifes” de seitan ou cogumelos... A grande vantagem é que as crianças adaptam-se a um leque maior de alimentos, desde as diferentes leguminosas, vegetais, frutos secos e sementes, e adquirem hábitos mais saudáveis, evitando os alimentos demasiado processados e açucarados. Contudo, durante a infância, seja qual for o regime alimentar seguido, é necessário manter uma alimentação completa, variada e equilibrada e ter vigilância médica. Infelizmente, muitos técnicos de saúde não dispõem de conhecimentos sobre alimentação vegetariana infantil, para poderem informar os pais.

 

P: Os seus filhos percebiam porque comiam diferente dos amiguinhos da escola? 

R: Sim, percebem e quando são questionados pelos colegas, explicam que não lhes agrada mesmo nada a ideia de ter no prato um pedaço de um animal que eles adoram... É curioso que o que mais intriga os meus filhos é o facto das outras crianças nunca terem provado refeições com tofu, seitan, salsichas vegetarianas... e quando provam, quase sempre, gostam! As ementas nas escolas tendem a ser pouco variadas, descoloridas e monótonas, com uma alternância entre carne, peixe e ovos, quando existem muitas opções saudáveis e económicas que podiam ser implementadas.

 

P: No novo livro “Cozinha Vegetariana para Quem Quer Poupar” propõe receitas 100% vegetarianas. A quem o aconselha?

R: A todas as pessoas que gostam de experimentar pratos diferentes, que procuram  melhorar a sua alimentação ou sigam uma dieta sem glúten, sem lactose ou vegetariana. O livro, para além das receitas de leites vegetais, sobremesas sem ovos, entradas e pratos principais, ensina a fazer em casa os alimentos típicos da cozinha vegetariana e apresenta quadros detalhados sobre os principais nutrientes dos alimentos. Quando idealizei o livro, pensei  num manual que fosse inspirador, de consulta fácil e útil em qualquer cozinha.

 

P: Que conselhos deixa a quem quer iniciar-se na cozinha vegetariana?

R: Que não tenha receio de provar alimentos novos e que crie o hábito de fazer refeições à base de leguminosas, que são muito ricas em proteínas e minerais, fáceis de preparar e económicas. As leguminosas quando são combinadas com cereais, de preferência integrais, fornecem proteínas completas com todos os aminoácidos essenciais. Encontramos essa tradição em quase todas as culturas: feijão com arroz (típico do Mediterrâneo), feijão com milho (América Latina), lentilhas com arroz (Índia), húmus com pão (Médio Oriente), etc. Os nossos avós e antepassados faziam esse tipo de alimentação. É uma boa solução para refeições rápidas vegetarianas.

 

P:  Já conhecia o projeto 2as Sem Carne? 

R: Sim, desde o início da sua formação. Tenho seguido o movimento Meatless Monday,  que tem feito um trabalho importante. É, de facto, urgente tomarmos consciência da necessidade de poupar os recursos do planeta, a vida dos animais e a nossa saúde, e agirmos!  


Gabriela Oliveira, 3 de Setembro de 2014

 

Website

Está em... Home Amigos e apoiantes Gabriela Oliveira